I Can’t Make You Love Me - Adele.
Pelo piso de madeira ouvi seus passos na sala, depois na escada, e finalmente no corredor para o quarto.
Me virei na cama para olhar pra porta, e lá estava ele, com um meio sorriso forçado, fiz o mesmo, forçando uma expressão em meu rosto, que não era real. Comecei a me sentar na cama, enquanto ele tirava das costas um boque de rosas vermelhas. Eu prefiro as brancas, mas ele não sabe disso, pois ele nunca perguntou.
‒Você chegou ainda mais tarde hoje.. ‒comentei enquanto ele se aproximava de mim
‒Desculpa querida, as coisas no trabalho estão.. ‒comecei a negar com a cabeça rindo nervosa.
‒ Não me conte mentiras ‒eu sentia meus olhos se encherem de água, fechei-os com força e levei minhas mãos ao meu rosto limpado rapidamente antes que elas saíssem de meus olhos. Voltei a encarar Harry, que agora olhava pra baixo. ‒ Harry.. ‒minha voz quase não saiu de minha garganta, mas ele levou os olhos aos meus‒ Deixa isso ai e.. ‒engoli seco ‒ Deite-se comigo, ‒ele fez o que eu pedi. Deixou as rosas sobre criado mudo e se sentou na cama, tirando os sapatos sociais enquanto eu, apoiada pelos joelhos sobre a cama, tirava seu paletó com calma. Me estiquei um pouco sobre a cama, e o deixei junto das rosas. Harry se virou pra mim, pondo as pernas sobre a cama. Eu voltei ao meu lugar, mas eu não estava mais apoiada na cama, mas estava sobre meus próprios joelhos. Harry abriu os botões da camisa, um de cada vez, e logo, jogou-a no chão, como se essa não fosse a camisa que ganhou na apresentação de dias dos pais do colégio de nossa filha.
E então ele se apoiou na parede, se virou pra mim, estendeu os braços, esperando que eu fosse até ele e o abraçasse. E eu fiz exatamente o que ele tava esperando. Me juntei a ele o abraçando. Meus braços envolviam-no firme, e ele me abraçou de volta, mas claro, de uma forma muito menos intensa e dependente.
‒Apenas me segure firme.. Por favor.. ‒disse em suplica sobre o seu peito, fazendo a fala ficar abafada, mas ele fez o que eu pedi.
Fechei os olhos, talvez assim eu não veja o amor que ele não sente. A manhã chegará e irei fazer o que é certo, mas eu acho que ele sabe disso. Talvez, isso foi o que ele sempre quis, pelo menos de uns anos pra cá, mas eu tinha medo. Tinha medo de acreditar no que eu sabia, tinha medo de acreditar que isso não deveria ser assim,tinha medo de acreditar que minha família não era perfeita, tinha medo de acreditar que ele não me amava. Na minha cabeça, isso podia ser mudado. Eu podia amar por nós dois, até que ele estivesse pronto pra me amar da mesma forma que eu o amo. Mas eu estava errada. Eu não posso fazer Harry me amar, se ele não me ama.
O abracei mais forte sobre meus braços. Suas mãos começaram a acariciar minha costas, subindo e descendo com calma, como ele fazia a anos atrás, quando ele ainda me amava. As lagrimas estavam em meus olhos, e eu deixei-as rolar. Como se agora, aqui no escuro do nosso quarto, nessas últimas horas, eu pudesse entregar de vez meu coração, que continuava pertencendo a ele. E eu sei que ele não vai fazer o mesmo.
‒Eu sentia como se errasse todos os dias.. ‒minha fala ainda saia abafada, e então eu levantei minha cabeça para ele Nós encarávamos um ao outro. ‒ e nas primeiras vezes que você chegou tarde, com um sorriso eu dizia: “Tudo bem, eu entendo”, mas meu coração palpitando gritava:”Não aguento”. Mas eu sentia que tinha que aguentar. Pela nossa filha, pelo amor que eu sinto, mas.. ‒as lagrimas começaram a descer de meus olhos, elas também pareciam estar com calma. ‒Mas eu estava sendo boba. Amanhã de manhã, vou para a casa de minha mãe.. ‒meu olhar se perdeu nas rosas vermelhas no criado-mudo. ‒ Eu já falei com ela, e com a Camilinha, não sabia se você ia vir pra casa cedo hoje, e você não chegou mas, eu não consegui dormir ‒olhei pra ele mais uma vez. Sua expressão estava séria, mas eu sorri fraca pra ele. ‒Acho que pra ela será confuso..
‒ Eu serei presente. ‒Harry disse firme, e eu pude jurar que seu abraço também se firmou
‒Eu sei que sim.. ‒Voltei a apoiar minha cabeça em seu peito‒ Nós somos casados a oito anos.. eu sei quem você é..
‒Eu queria te amar. ‒ele sussurrou‒ Eu juro que eu..
‒Você não pode fazer seu coração sentir. ‒levantei meus olhos rapidamente pra ele, logo voltando a minha posição inicial. ‒ Apenas vamos fingir uma última vez, que isso é recíproco, por favor..
E então ele beijou o topo de minha cabeça, num ato de carinho genuíno, e ainda abraçada a ele, acabei adormecendo com os olhos ardendo.
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